
Na minha transição de criança pra adolescente eu era muito calado. Talvez pela timidez, eu acabava me expressando pela minha arte (sempre amei desenhar e criar histórias), e realmente passava a maior parte do dia imerso nesse mundo, tanto é que meus pais diziam que eu vivia num mundo paralelo (ou da Lua!).
Mas ter ficado muito tempo calado me ajudou a observar mais o meu redor, a forma como as pessoas agiam, suas dúvidas, seus dilemas (e me diziam que eu era um bom ouvinte por ficar quietinho enquanto as pessoas falavam).
Fato é que eu cresci, e apesar de ter deixado minha grande timidez de lado e estar bem mais seguro de mim agora, ainda continuei ouvindo as pessoas, e isso ultimamente tem me trazido uma certeza não muito boa: normalmente as pessoas querem saber e falar mais sobre elas mesmas, e quando você falar qualquer coisa sobre você, elas não te ouvirão da mesma forma como você as ouve (isso se te ouvirem).
Isso em partes é um choque, pois parece que hoje em dia todos estão tão egoístas, vivendo em seus próprios mundos, que mal têm tempo de ouvir alguém que está por perto.
São pais e mães olhando pro celular e não pra forma que os filhos pequenos brincam na sala, são amigos e irmãos querendo de forma afoita contar suas crises e acontecimentos recentes, sem se importar com a troca, criando verdadeiros monólogos, onde apenas a parte que escuta saberia dizer que há algo errado, que há algo em desequilíbrio nessa história toda.
Talvez você que esteja lendo agora seja o ouvinte, e sinta tudo isso mais intensamente, ou talvez você seja aquele que cria os monólogos, e talvez com sorte tenha lido esse texto até o final, e quem sabe repense tudo o que tem feito até aqui, e aprenda que quando não há uma troca real e equivalente nas relações, não há relações.
Felipe Betim
Fonte: http://pensopositivo.com.br/a-importancia-das-trocas-nas-relacoes/
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