
- Masaharu Taniguchi -
Seja pelo contato com seus filhos ou pelas recordações da sua própria infância, você já deve ter percebido que as crianças vêem com espanto e admiração todas as coisas que as cercam. É que tudo parece novidade (e é, realmente) aos seus olhos. Para uma criança, os acontecimentos da natureza como, por exemplo, o desabrochar de uma flor, é motivo de espanto e perplexidade. Por isso, frequentemente as crianças nos "bombardeiam" com perguntas como: "Por que é que as flores se abrem?", "Por que é que o Sol nasce de manhã e se esconde à tarde?", "Por que é que as estrelas brilham?", etc., etc. Tais perguntas exprimem o grande espanto e admiração que as crianças sentem em relação a todas as coisas.
No romance Gyuniky to Bareisho, uma das principais obras do renomado escritor japonês Doppo Kunikida, há uma passagem onde o personagem principal diz: "Eu quero sentir espanto...". Realmente, é muito importante conservarmos sempre a capacidade de sentir espanto e admiração diante das coisas que nos cercam. As crianças têm essa capacidade. Elas experimentam a sensação de nova descoberta em relação a tudo. Assim, cada vez que deparam com pessoas, coisas e fatos, elas se perguntam, com espanto: "Que será isso?", "Por quê?", etc. A capacidade de sentir espanto e admiração é um dos "tesouros espirituais" mais valiosos.
As criancinhas, por terem essa capacidade, vêem como novidade todas as coisas com que deparam. Mesmo que a "coisa" em si seja velha, elas a encaram como uma nova descoberta, porque o seu espírito é novo. Os adultos, porém, tendem a ficar com o espírito envelhecido. Envelhecer é "não se renovar diariamente". Quando a mente não se renova diariamente, ela "endurece" e perde a liberdade. Aquele que encara as coisas com a mente "endurecida" e sem liberdade, não pode compreender o verdadeiro valor e a maravilha das coisas que o cercam. Ele acha que nada há de extraordinário no fato de as flores desabrocharem, no fato de as estrelas brilharem, no fato de existir a atmosfera, etc. E não achando nada extraordinário, não se sentirá emocionado ou maravilhado diante de coisa alguma. Assim, por maiores que sejam as dádivas recebidas, não sentirá gratidão, nem se emocionará. Viverá num mundo insípido, e não poderá sentir a verdadeira alegria e satisfação da alma. Não há, pois, pessoas mais infelizes do que aquelas que perderam a capacidade de maravilhar-se e emocionar-se.
"Abrir os olhos da alma" é recuperar a vivacidade de espírito, é readquirir a capacidade de maravilhar-se e emocionar-se. Quando despertamos para o milagre da Vida (Natureza), não podemos deixar de nos maravilhar diante de tudo quanto vemos. Vejamos, por exemplo, uma pequena flor do campo. Como é delicada e sutil a sua estrutura! Por mais que o homem empregue a sua engenhosidade na confecção de uma flor artificial, ele não conseguirá produzir algo tão belo e delicado como uma flor natural. Até na mais humilde florzinha está presente o milagre da Vida. Quem será o autor de tão maravilhosa obra? Quem será que construiu algo tão belo, tão delicado e tão bem elaborado? As crianças, cujos "olhos da mente" não estão envelhecidos, ficam admiradas e curiosas diante desses mistérios. Mas os adultos, por estarem habituados com essas coisas, não sentem admiração nem curiosidade.
A admiração e a curiosidade ante o mistérios da Vida nos conduzem ao desejo de buscar a origem desses mistérios. E o desejo de conhecer a origem dos mistérios da Vida constitui a base, tanto do espírito religioso como do espírito científico. E quando o espírito de pesquisa aprofunda-se até atingir o "mundo imaterial", ele se manifesta como espírito religioso.
Existem muitas pessoas que pensam que a religião e a ciência chocam-se frontalmente. Mas isso não é verdade. O espírito de busca da verdade científica e o espírito de busca da verdade religiosa são uma coisa só, em sua essência. Na realidade, ambos são "espírito de busca da origem dos mistérios da Vida", atuando independentemente em missões distintas, tais como os destacamentos de um exército.
Diante de cada coisas que os nossos olhos captam, devemos sentir o vivo anseio de buscar sua origem. Quando desejamos e buscamos ardentemente a origem das coisas, tornamo-nos capazes de chegar até ela, natural e intuitivamente. Jesus disse: "Buscai, e achareis...". Sim, existindo em nós o sincero espírito de busca, tudo nos será revelado ou dado, à proporção que buscamos.
As pessoas que acham que tudo é natural e não se maravilham com coisa alguma, não possuem espírito de busca. Se Isaac Newton não tivesse achado nada de extraordinário no fato de uma maçã desprender-se do ramo e cair no chão, certamente ele não teria descoberto a existência da gravitação universal. Mas esse fenômeno natural (isto é, o fato de uma coisa cair de cima para baixo) despertou em Newton curiosidade e perplexidade. Isto porque ele tinha espírito jovem, vigoroso, repleto de desejo de busca. Graças a isso, ele pôde descobrir a força da gravitação universal. Porém, a sua busca nessa área parou aí, porque ele aceitou como fenômeno natural a existência dessa lei. É preciso que o nosso espanto, a nossa admiração, nossa curiosidade e perplexidade diante das coisas e fatos que observamos, alcancem uma profundidade bem maior. Precisamos, por exemplo, querer saber por que existe a lei de gravitação universal. Quando o nosso espanto e a nossa perplexidade diante das coisas/fatos observado não desaparecem com a simples explicação científica, e impelem-nos a continuar buscando suas origens e causas num nível mais profundo, chegamos às descobertas religiosas realmente profundas. Devemos, pois, dizer que o espírito religioso é o anseio para se chegar à origem de tudo quanto parece misterioso. Ele atinge, portanto, uma profundidade maior do que o espírito científico.
A curiosidade de Newton quanto à causa da queda dos objetos foi satisfeita com a descoberta da força da gravitação universal. Porém, a força gravitacional é uma força que não vai além do mundo físico. Quando ultrapassamos os limites do mundo físico, descobrimos o mundo de Deus, o mundo da religião.
Vamos supor que eu tenha, em minha mão, um ramo de flor. Como será que se forma uma flor? Primeiramente, a planta absorve os elementos nutritivos do solo, através de suas raízes. Processam-se, então, as funções orgânicas da planta, e ela assimila os elementos nutritivos absorvidos. Quando os elementos assimilados se "dispõem" em determinada ordem, dá-se a formação da flor. Até aí, as explicações científicas podem nos esclarecer. Mas quando não paramos aí, e prosseguimos em nossa busca para saber o porquê de tudo isso, alcançamos, finalmente, a fonte da misteriosa força da Vida – a Força de Deus.
Na verdade, o "sentimento religioso", sendo manifestação do espírito de busca mais profundo do que o "espírito científico", leva o homem a procurar a Verdade mais profunda. Podemos, pois, dizer que o "espírito religioso" é o "espírito científico em sua maior profundidade". Portanto, ser religioso não é manter uma crença cega, mas sim possuir um espírito de busca mais profundo do que um simples "espírito científico". A ciência da matéria consiste em pesquisar, do ponto de vista físico, a estrutura, a organização, etc. de todas as coisas. Quando a nossa busca não para aí, e aprofundamo-nos cada vez mais na procura das causas e origens de todas as coisas, desenvolve-se em nós o "espírito científico que alcança um mundo além da ciência". Podemos dizer que se trata, antes, de um verdadeiro "espírito religioso" do que um "mero espírito científico".
Se alguém perguntasse "O que mantém vivo o ser humano?", um médico responderia que "o homem vive porque o seu coração ou cérebro está funcionando". Sendo cientista, ele conhece cientificamente o corpo humano. Assim, se um paciente estiver prestes a ter uma parada cardíaca, ele aplica uma injeção de cânfora para estimular o seu coração e faz com que ele volte a funcionar. Analisando o corpo humano sob o ponto de vista científico, os médicos dizem que "o homem vive enquanto o seu coração estiver funcionando". Todavia, a medicina ainda não descobriu "o que faz o coração funcionar".
A medicina atual ainda não encontrou a verdadeira explicação para isso. Várias teorias têm sido apresentadas. Nós sabemos que o coração, através de seu movimento de sístole (contração) e diástole (dilatação), impele o sangue para todas as partes do corpo, mas não compreendemos o porquê de tudo isso. É preciso que nos aprofundemos mais na busca da "origem" e compreendamos não apenas a nossa "estrutura física", mas também a existência da misteriosa força da Vida que, embora invisível, está agindo incessantemente dentro de nós para nos manter vivos. E o que nos leva a profundarmo-nos mais na busca de respostas para as perguntas como "Por que o coração funciona?", é justamente a religião. portanto, religião não é uma mera "crença cega". Muito pelo contrário, ela é algo que estimula em nós o desejo de busca mais profundo do que aquele que a ciência desperta.
Quando o homem não se satisfaz com explicações superficiais a respeito das coisas e fatos e busca persistentemente a verdadeiras origens e causas de tudo, finalmente atinge aquilo que Hebert Spencer, filósofo e sociólogo inglês, denominou "Princípio Primeiro". "Princípio Primeiro" é, como o próprio nome diz, a origem de tudo. É algo cuja existência não depende de outra "causa". Ele existe por si mesmo, desde o princípio. Assim, quando o nosso espírito de busca nos leva a aprofundarmo-nos ao máximo na procura da origem do que quer que seja, inevitavelmente chegamos até o "Princípio Primeiro". Vamos supor que uma pessoa queira saber por que o coração funciona. Estudando o funcionamento do coração, ela vai saber como é a estrutura celular desse órgão, como se processa a circulação do sangue, como o aparelho respiratório purifica o sangue, etc. Então, surge uma outra pergunta: "Por que o homem respira?". Se a pessoa, não satisfeita com meras explicações científicas, continuar buscando respostas para as perguntas que vão surgindo uma após a outra, inevitavelmente chegará a um ponto em que terá de reconhecer a existência do "Princípio Primeiro" – ou seja, o "princípio de todas as coisas", o qual não admite mais a pergunta "Por que?".
Esse "Princípio" é que é Deus, é a Vida. Quando o homem busca incansavelmente os porquês de todas as coisas e fatos, finalmente chega até o Ser Misterioso que existe desde o princípio. Esse Ser Misterioso é que é Deus. Em todos os seres humanos existem o desejo e o esforço (ainda que inconscientes) de chegar até Deus. Devemos, pois, dizer que o sentimento religioso do homem é algo muito profundo.
Ocorre-nos , então, a seguinte pergunta: "Por que o homem possui sentimento religioso?". Podemos dizer que o homem, sendo uma criatura oriunda de Deus, traz em seu íntimo o desejo de reencontrar Aquele que é a sua origem. Se fôssemos criados num orfanato ou num lar adotivo, cedo ou tarde surgiria em nós o desejo de encontrar os nossos verdadeiros pais, que talvez estivessem vivos em algum lugar. O desejo de reencontrar os pais é, em última análise, o anseio de descobrir a própria origem. Tanto o desejo de descobrir a origem do nosso corpo carnal, como o desejo de descobrir a origem da nossa Vida, são a manifestação da saudade daquele que nos gerou, e da necessidade imperiosa que sentimos de conhecê-lo, ir a seu encontro. Portanto, ambos os desejos têm fundamento na Grande Verdade, segundo a qual todo indivíduo é "originariamente uno" com seu Pai espiritual e também com seus pais carnais. Porque somos originariamente unos com o ser que nos gerou, sentimos o desejo de reencontrá-lo e unirmo-nos novamente a ele.
Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 29", pp. 103-110
Citemos novamente a Gravitação Universal. Quando alguém explica cientificamente que existe algo denominado Gravitação Universal, a maioria das pessoas se satisfaz com essa explicação. É que o ser humano tende a deixa-se "iludir" pelo poder mágico da palavra. Qualquer que seja o objeto de um estudo, é muito comum as pessoas darem por encerrada a pesquisa, assim que for encontrada uma definição para o objeto de estudo. Exemplificando, se uma pessoa perguntar: "Por que é que os objetos caem quando soltos no ar?", e o outro explicar que é por causa da "força de atração da Terra", aquela pessoa pensará que entendeu tudo. Na verdade, ela não entendeu coisa alguma. O homem deu o nome de "gravidade" ou "força de atração da Terra" à força que faz com que os objetos caiam, mas não sabe exatamente o que é exatamente essa força de atração. Não podemos dizer que compreendemos o que é "Força Gravitacional", se desconhecemos a sua origem.
Uma coisa que desconhecemos não se torna conhecida apelas pelo fato de lhe darmos um nome ou uma definição. Mas, a maioria das pessoas contenta-se apenas com nomes ou definições. Por exemplo: se um pessoa contrair uma doença que se caracteriza por acúmulo de líquido na cavidade abdominal, e consultar um médico, este lhe dirá: "O senhor está com ascite, ou seja, barriga d'água". Visto que há acúmulo de líquido na cavidade abdominal do paciente, é compreensível que essa enfermidade seja chamada "barriga d'água". Porém, tal denominação apenas indica o fato de haver acúmulo de líquido na cavidade abdominal e não explica o que é, exatamente, essa doença. Mas o paciente, ao ouvir o médico pronunciar o nome da doença, convence-se de que o médico conhece toda a verdade sobre essa moléstia.
O mesmo acontece nos casos de peritonite, bronquite e muitas outras doenças. Ao constatar uma inflamação no peritônio do paciente, o médico diagnostica "peritonite". Ouvindo esse diagnóstico, o paciente pensa que o médico sabe tudo a respeito dessa moléstia. Mas, na verdade, não é bem assim. O médico diagnostica a doença, baseando-se nos sintomas apresentados pelo paciente. Se há inflamação no peritônio, é "peritonite"; se há inflamação nos brônquios, é "bronquite" – e assim por diante. Mas, na maioria dos casos, o médico não conhece as verdadeiras causas das doenças diagnosticadas. Na minha opinião, a verdadeira medicina consiste em buscar e encontrar a causa fundamental da doença. Porém, há muitos casos em que a medicina limita-se a denominar os sintomas da doença, sem conhecer realmente a sua causa.
"Força Gravitacional" é apenas um nome que a ciência deu à atração que qualquer corpo exerce sobre outro corpo. OS próprios cientistas desconhecem a origem dessa força. Pois eu digo que "Força Gravitacional" também é uma das manifestações da força de Deus.
O Cristianismo prega que "Deus é Amor". Mas o que é amor? Amor é um sentimento através do qual todos aqueles que são "originalmente um" conscientizam-se dessa unidade. Em sua essência, tanto a ciência como a religião têm como função básica promover a conscientização de que todas as coisas são, originariamente, uma só Vida, não obstante pareçam separadas umas das outras. Portanto, ambas têm a função de promover o "Amor". Amor é o fator que reaproxima aqueles que, apesar de serem "originariamente uma só Vida", estão separados por alguma circunstância. Os pais amam os filhos, e os filhos amam os pais; o marido ama a mulher, e a mulher ama o marido. Esse amor faz com que eles se conscientizem de que, mesmo sendo separados fisicamente, são, na verdade, "uma só Vida". Se duas criaturas desejam aproximar-se uma da outra, é porque originariamente são "uma só Vida". Esse desejo de aproximação é a manifestação da força do amor. Por causa da força do amor que os une, pais e filhos sentem intensamente a dor da separação, o mesmo acontecendo com marido e mulher.
Ampliando gradativamente o alcance do nosso sentimento de amor, chegamos à compreensão de que não apenas "marido e mulher" e "pais e filhos", mas todas as pessoas do mundo são inseparáveis, pois são extensões de uma mesma Vida. Então nasce em nós o desejo de estender nossas mãos a todas as pessoas. O amor a toda a humanidade nasce quando compreendemos que todas as pessoas são, originariamente, "uma só Vida". Mas essa compreensão só se alcança através daquilo que podemos chamar de "intuição religiosa", não sendo possível chegar-se a ela através dos cinco sentidos. Os olhos carnais vêem as pessoas como indivíduos separados uns dos outros, cada um com seu próprio corpo e sua própria vida. Por isso, enquanto vemos os outros com nossos olhos carnais, não podemos compreender que, na verdade, todas as pessoas são "uma só Vida". Somente através da "percepção intuitiva", que transcende os sentidos, podemos alcançar a compreensão de que toda a humanidade é "uma só Vida".
Aprofundando mais essa compreensão, chegamos à conscientização de que a Vida de todos os seres vivos provém de Deus. Tornamo-nos, então, capazes de amar sinceramente não apenas toda a humanidade, como também todos os demais seres vivos. Aprofundando ainda mais a conscientização da "unidade de todos os seres", compreendemos, finalmente, que não só os seres vivos, como também substâncias inorgânicas como a terra, as rochas, a água, etc., são manifestações da Vida de Deus.
Conta-se que Sakyamuni, quando alcançou o "despertar espiritual" no dia 18 de dezembro, aos 35 anos de idade, viu o Jisso (Imagem Verdadeira) do mundo, onde "todos os seres animados ou inanimados, bem como todos os elementos da natureza tais como os montes, os rios, as ervas, o país, etc., eram Buda". Isto quer dizer que, naquele momento, Sakyamuni alcançou a conscientização de que todos os seres e todas as coisas do mundo são a manifestação da Vida do Ser Supremo e, portanto, são originalmente "uma só Vida".
Quando alcançamos esse mesmo "despertar" alcançado por Sakyamuni, chegamos à compreensão de que este mundo é reino de Deus. Enquanto pensamos que o país/mundo onde vivemos é uma simples matéria, não podemos compreender o significado da frase: "Montes, rios, ervas, árvores, país – tudo é Buda (ou seja, tudo é a manifestação da Grande Vida)". Enquanto olhamos o mundo sob o ponto de vista meramente científico, pensamos que este mundo é um mundo material e que o país também é simples matéria. Porém, quando alcançamos o despertar espiritual, compreendemos que o mundo, o país e todas as coisas são manifestação da Vida de Deus e possuem, portanto, a mesma Vida que possuímos. Compreendendo isso, compreendemos também a essência verdadeira do amor à pátria. E compreendemos, também, a origem da força misteriosa que faz com que seres orgânicos (como as plantas, por exemplo) retirem nutrientes das simples matérias inorgânicas através de processos de fotossíntese, assimilação, etc. As pessoas não entendem porque simples matérias se transformam em Vida; continuam pensando que "matéria é matéria; vida é vida", e não compreendem por que os alimentos, sendo simples matérias, transformam-se em Vida quando ingeridos e assimilados.
Porém, a partir do momento em que compreendemos que tudo quanto existe no mundo (sejam seres vivos ou elementos inorgânicos) é manifestação da Vida de Deus, percebemos o engano de considerar "matéria" aquilo que na verdade não o é, e compreendemos o seguinte: "É natural que as coisas consideradas como matéria possam se transformar em Vida, pois a matéria também é Vida – ou seja, a essência da matéria é Vida". Na sutra budista Kongo-kyo existe a frase: "Os montes não são montes, mas eles são chamados montes". Quando alcançamos o despertar espiritual, compreendemos o significado dessa frase. Compreendemos que "a matéria não é matéria, embora considerada como tal". Em outras palavras, compreendemos que mesmo as coisas consideradas como simples matéria constituem, na essência, a Única Vida.
Consequentemente, compreendemos também o porquê da transformação dos alimentos ingeridos em força vital: ingerindo sob a forma de alimento aquilo que constitui a mesma Vida que existe também em nós, somos por ele nutridos e revigorados. Através dos processos como absorção, assimilação, etc., tudo aquilo que é considerado matéria transforma-se em força vital. A partir do momento em que compreendemos essa grande Verdade – ou seja, que a matéria, na verdade não é matéria, pois a sua essência é Vida –, chegamos à natural elucidação doe enigmas tais como "Por que existe a força gravitacional?" Os planetas e dos demais corpos celestes atraem-se uns aos outros porque, na verdade, constituem a Única Vida. Se não fosse assim, ou se eles fossem simples matérias inanimadas, estariam espalhados no Universo sem se atraírem uns aos outros, e não se movimentariam ordenadamente pelo espaço sideral.
Ao compreendermos, através da percepção intuitiva, que "todos os seres e todas as coisas são originariamente uma só Vida", serão completamente esclarecidas todas as questões tais como a verdadeira natureza do amor à pátria e à humanidade, a transformação de alimentos materiais em Vida, a razão da existência da força gravitacional e o porquê da pulsação do coração. A compreensão dessa Verdade se alcança através da percepção intuitiva. Enquanto ficarmos vendo e sentindo unicamente através dos cinco sentidos as coisas e os indivíduos isolados fisicamente uns dos outros, não poderemos chegar à compreensão dessa Verdade.
O que é preciso fazer para conscientizar realmente o Jisso (Imagem Verdadeira) da Vida, isto é, conscientizarmos que todos os seres, sejam animados ou inanimados, são vivificados por uma única Vida? Para isso, precisamos nos desligar, por alguns instantes, do "mundo perceptível aos cinco sentidos". Na Seicho-No-Ie, esse "desligamento" é feito através do Shinsokan: fechando os olhos carnais e mentalizando "Neste momento, deixo o mundo dos cinco sentidos e entro no mundo do Jisso", aprofundamos a consciência de que estamos no Mundo do Jisso. Praticando constantemente essa concentração espiritual, alcançamos a compreensão de que a Vida que existe em nós é a Vida eterna, a que Jesus Cristo se referiu, quando disse: "Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou". Compreendemos que dentro de nós palpita a mesma Vida que já existia há bilhões de anos, antes mesmo da formação da Terra, e que continuou existindo através dos tempos mesmo quando este planeta ainda era uma nebulosa de altíssima temperatura, de milhares de graus centígrados. Compreendemos que essa Vida Eterna é que continua existindo dentro de nós.
Compreendendo isso, compreendemos a veracidade das palavras que lemos no Hokekyo (Sutra do Lótus), do Budismo, onde Sakyamuni refere-se a si mesmo como uma Vida plenamente livre, que alcançou a iluminação há infinitos anos. Em suma, ao despertarmos espiritualmente, compreendemos que cada um de nós é a própria Vida, sublime e misteriosa, que já existia antes mesmo da formação do cosmo e, continuando a existir através dos tempos – mesmo nos momentos mais perigosos –, está manifestada em nós, aqui e agora. Ao mesmo tempo que compreendemos quão preciosa é a Vida que existe dentro de nós, conscientizamos que essa mesma Vida existe também dentro de todas as criaturas. Consequentemente, passamos a ter a nítida consciência de que não só todas as pessoas, como também todas as demais criaturas e coisas existentes no Universo são nossos verdadeiros irmãos, e conseguimos reverenciá-las do fundo do coração. Reverenciamo-las, não porque sejamos fraco e precisemos nos apoiar em alguém ou algo mais forte do que nós, mas sim porque sentimos por ela um profundo amor e uma profunda afeição, nascidos da consciência de estarmos unidos a todas as pessoas, a todas as criaturas e até mesmo a todas as coisas inorgânicas, através da mesma Vida – essa Vida indestrutível, eterna.
A compreensão intuitiva de que "todas as criaturas e todas as coisas do Universo são originariamente uma só Vida" constitui a base do amor ao próximo, e também do sentimento de valorizar todas as coisas. E este último sentimento constitui, por sua vez, a base do sucesso nos empreendimentos. Mesmo no mundo dos negócios, as pessoas que desejam alcançar o verdadeiro êxito têm de aprender a reverenciar as coisas. Caso contrário, não poderão extrair delas a força infinita. Diz-se que "até uma cabeça de sardinha poderá manifestar uma força milagrosa e curar doenças se a reverenciarmos". Reverenciando verdadeiramente todas as coisas, conseguimos extrair delas a força infinita. É preciso, pois, que aprendamos a reverenciar todas as coisas, com profundo sentimento de gratidão.
A partir do momento em que compreendemos que "todas as coisas são a manifestação da Vida de Deus", tornamo-nos incapazes de desperdiçar até mesmo uma folha de papel; pelo contrário, procuramos aproveitá-la ao máximo, fazendo com que ela exteriorize cem por cento a sua utilidade. Uma folha de papel em branco pode parecer insignificante, mas se você pegar essa folha e escrever uma carta com espírito de verdadeira reverência e gratidão, ela poderá prestar serviços de incalculável valor. Por exemplo, ela poderá manifestar um poder milagroso e curar a doença do destinatário; poderá, também, fazer com que o destinatário lhe empreste uma elevada quantia para salvá-lo da dificuldade. Como podemos ver, mesmo uma simples folha de papel em branco pode passar a manifestar uma força ilimitada, quando a vivificamos, usando-a com amor e espírito de reverência.
Na Seicho-No-Ie se diz que "na verdade, a matéria não existe". Há pessoas que interpretam erroneamente essas palavras, e pensam que "não é preciso dar valor às coisas, já que a matéria não existe". Elas estão interpretando apenas superficialmente a expressão "não existe", sem compreender o seu verdadeiro significado. Todas as coisas passam a manifestar valor infinito quando as reconhecemos como sendo "extensão da Vida de Deus". Mas quando as consideramos meras matérias pesando tantos gramas e constituídas de tais e tais elementos, elas só manifestam o valor limitado de matéria. Uma pessoa que não vê uma folha de papel como simples matéria, será capaz de transformar essa folha numa fonte de força ilimitada. Se nela escrevermos uma carta repleta de vibrações espirituais de amor, essa folha de papel se transformará em algo miraculoso e poderoso, que vivificará milhares e milhares de pessoas. Portanto, não existe coisa alguma que possa ser considerada uma simples matéria, de valor e capacidade limitados.
O valor e a capacidade de todas as coisas podem transformar-se de acordo com a intensidade da nossa reverência para com elas. Fazer com que todas as coisas manifestem a força infinita – esta é a maravilhosa "mágica", que consiste em colhermos abundantes e infinitas dádivas, a partir do nada. Mas não é preciso despojarmo-nos de todos os bens para praticarmos essa "mágica". O essencial é conscientizarmos que "na verdade, a matéria não existe, pois tudo quanto existe no mundo é manifestação da Vida de Deus". A partir do momento em que conscientizamos isso, passamos a olhar todas as coisas com profunda reverência. E todas as coisas passam a manifestar a força infinita da Grande Vida de Deus – força essa que transcende a matéria – quando as reverenciamos do fundo do coração. "A matéria não existe" – estas palavras constituem uma das bases da doutrina da Seicho-No-Ie, são palavras de suma importância. Elas são de compreensão fácil e ao mesmo tempo difícil. Por isso, frequentemente são interpretadas erroneamente. Mas acredito que, com as explicações dadas, os leitores conseguirão captar o sentido geral delas.
Uma coisa que desconhecemos não se torna conhecida apelas pelo fato de lhe darmos um nome ou uma definição. Mas, a maioria das pessoas contenta-se apenas com nomes ou definições. Por exemplo: se um pessoa contrair uma doença que se caracteriza por acúmulo de líquido na cavidade abdominal, e consultar um médico, este lhe dirá: "O senhor está com ascite, ou seja, barriga d'água". Visto que há acúmulo de líquido na cavidade abdominal do paciente, é compreensível que essa enfermidade seja chamada "barriga d'água". Porém, tal denominação apenas indica o fato de haver acúmulo de líquido na cavidade abdominal e não explica o que é, exatamente, essa doença. Mas o paciente, ao ouvir o médico pronunciar o nome da doença, convence-se de que o médico conhece toda a verdade sobre essa moléstia.
O mesmo acontece nos casos de peritonite, bronquite e muitas outras doenças. Ao constatar uma inflamação no peritônio do paciente, o médico diagnostica "peritonite". Ouvindo esse diagnóstico, o paciente pensa que o médico sabe tudo a respeito dessa moléstia. Mas, na verdade, não é bem assim. O médico diagnostica a doença, baseando-se nos sintomas apresentados pelo paciente. Se há inflamação no peritônio, é "peritonite"; se há inflamação nos brônquios, é "bronquite" – e assim por diante. Mas, na maioria dos casos, o médico não conhece as verdadeiras causas das doenças diagnosticadas. Na minha opinião, a verdadeira medicina consiste em buscar e encontrar a causa fundamental da doença. Porém, há muitos casos em que a medicina limita-se a denominar os sintomas da doença, sem conhecer realmente a sua causa.
"Força Gravitacional" é apenas um nome que a ciência deu à atração que qualquer corpo exerce sobre outro corpo. OS próprios cientistas desconhecem a origem dessa força. Pois eu digo que "Força Gravitacional" também é uma das manifestações da força de Deus.
O Cristianismo prega que "Deus é Amor". Mas o que é amor? Amor é um sentimento através do qual todos aqueles que são "originalmente um" conscientizam-se dessa unidade. Em sua essência, tanto a ciência como a religião têm como função básica promover a conscientização de que todas as coisas são, originariamente, uma só Vida, não obstante pareçam separadas umas das outras. Portanto, ambas têm a função de promover o "Amor". Amor é o fator que reaproxima aqueles que, apesar de serem "originariamente uma só Vida", estão separados por alguma circunstância. Os pais amam os filhos, e os filhos amam os pais; o marido ama a mulher, e a mulher ama o marido. Esse amor faz com que eles se conscientizem de que, mesmo sendo separados fisicamente, são, na verdade, "uma só Vida". Se duas criaturas desejam aproximar-se uma da outra, é porque originariamente são "uma só Vida". Esse desejo de aproximação é a manifestação da força do amor. Por causa da força do amor que os une, pais e filhos sentem intensamente a dor da separação, o mesmo acontecendo com marido e mulher.
Ampliando gradativamente o alcance do nosso sentimento de amor, chegamos à compreensão de que não apenas "marido e mulher" e "pais e filhos", mas todas as pessoas do mundo são inseparáveis, pois são extensões de uma mesma Vida. Então nasce em nós o desejo de estender nossas mãos a todas as pessoas. O amor a toda a humanidade nasce quando compreendemos que todas as pessoas são, originariamente, "uma só Vida". Mas essa compreensão só se alcança através daquilo que podemos chamar de "intuição religiosa", não sendo possível chegar-se a ela através dos cinco sentidos. Os olhos carnais vêem as pessoas como indivíduos separados uns dos outros, cada um com seu próprio corpo e sua própria vida. Por isso, enquanto vemos os outros com nossos olhos carnais, não podemos compreender que, na verdade, todas as pessoas são "uma só Vida". Somente através da "percepção intuitiva", que transcende os sentidos, podemos alcançar a compreensão de que toda a humanidade é "uma só Vida".
Aprofundando mais essa compreensão, chegamos à conscientização de que a Vida de todos os seres vivos provém de Deus. Tornamo-nos, então, capazes de amar sinceramente não apenas toda a humanidade, como também todos os demais seres vivos. Aprofundando ainda mais a conscientização da "unidade de todos os seres", compreendemos, finalmente, que não só os seres vivos, como também substâncias inorgânicas como a terra, as rochas, a água, etc., são manifestações da Vida de Deus.
Conta-se que Sakyamuni, quando alcançou o "despertar espiritual" no dia 18 de dezembro, aos 35 anos de idade, viu o Jisso (Imagem Verdadeira) do mundo, onde "todos os seres animados ou inanimados, bem como todos os elementos da natureza tais como os montes, os rios, as ervas, o país, etc., eram Buda". Isto quer dizer que, naquele momento, Sakyamuni alcançou a conscientização de que todos os seres e todas as coisas do mundo são a manifestação da Vida do Ser Supremo e, portanto, são originalmente "uma só Vida".
Quando alcançamos esse mesmo "despertar" alcançado por Sakyamuni, chegamos à compreensão de que este mundo é reino de Deus. Enquanto pensamos que o país/mundo onde vivemos é uma simples matéria, não podemos compreender o significado da frase: "Montes, rios, ervas, árvores, país – tudo é Buda (ou seja, tudo é a manifestação da Grande Vida)". Enquanto olhamos o mundo sob o ponto de vista meramente científico, pensamos que este mundo é um mundo material e que o país também é simples matéria. Porém, quando alcançamos o despertar espiritual, compreendemos que o mundo, o país e todas as coisas são manifestação da Vida de Deus e possuem, portanto, a mesma Vida que possuímos. Compreendendo isso, compreendemos também a essência verdadeira do amor à pátria. E compreendemos, também, a origem da força misteriosa que faz com que seres orgânicos (como as plantas, por exemplo) retirem nutrientes das simples matérias inorgânicas através de processos de fotossíntese, assimilação, etc. As pessoas não entendem porque simples matérias se transformam em Vida; continuam pensando que "matéria é matéria; vida é vida", e não compreendem por que os alimentos, sendo simples matérias, transformam-se em Vida quando ingeridos e assimilados.
Porém, a partir do momento em que compreendemos que tudo quanto existe no mundo (sejam seres vivos ou elementos inorgânicos) é manifestação da Vida de Deus, percebemos o engano de considerar "matéria" aquilo que na verdade não o é, e compreendemos o seguinte: "É natural que as coisas consideradas como matéria possam se transformar em Vida, pois a matéria também é Vida – ou seja, a essência da matéria é Vida". Na sutra budista Kongo-kyo existe a frase: "Os montes não são montes, mas eles são chamados montes". Quando alcançamos o despertar espiritual, compreendemos o significado dessa frase. Compreendemos que "a matéria não é matéria, embora considerada como tal". Em outras palavras, compreendemos que mesmo as coisas consideradas como simples matéria constituem, na essência, a Única Vida.
Consequentemente, compreendemos também o porquê da transformação dos alimentos ingeridos em força vital: ingerindo sob a forma de alimento aquilo que constitui a mesma Vida que existe também em nós, somos por ele nutridos e revigorados. Através dos processos como absorção, assimilação, etc., tudo aquilo que é considerado matéria transforma-se em força vital. A partir do momento em que compreendemos essa grande Verdade – ou seja, que a matéria, na verdade não é matéria, pois a sua essência é Vida –, chegamos à natural elucidação doe enigmas tais como "Por que existe a força gravitacional?" Os planetas e dos demais corpos celestes atraem-se uns aos outros porque, na verdade, constituem a Única Vida. Se não fosse assim, ou se eles fossem simples matérias inanimadas, estariam espalhados no Universo sem se atraírem uns aos outros, e não se movimentariam ordenadamente pelo espaço sideral.
Ao compreendermos, através da percepção intuitiva, que "todos os seres e todas as coisas são originariamente uma só Vida", serão completamente esclarecidas todas as questões tais como a verdadeira natureza do amor à pátria e à humanidade, a transformação de alimentos materiais em Vida, a razão da existência da força gravitacional e o porquê da pulsação do coração. A compreensão dessa Verdade se alcança através da percepção intuitiva. Enquanto ficarmos vendo e sentindo unicamente através dos cinco sentidos as coisas e os indivíduos isolados fisicamente uns dos outros, não poderemos chegar à compreensão dessa Verdade.
O que é preciso fazer para conscientizar realmente o Jisso (Imagem Verdadeira) da Vida, isto é, conscientizarmos que todos os seres, sejam animados ou inanimados, são vivificados por uma única Vida? Para isso, precisamos nos desligar, por alguns instantes, do "mundo perceptível aos cinco sentidos". Na Seicho-No-Ie, esse "desligamento" é feito através do Shinsokan: fechando os olhos carnais e mentalizando "Neste momento, deixo o mundo dos cinco sentidos e entro no mundo do Jisso", aprofundamos a consciência de que estamos no Mundo do Jisso. Praticando constantemente essa concentração espiritual, alcançamos a compreensão de que a Vida que existe em nós é a Vida eterna, a que Jesus Cristo se referiu, quando disse: "Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou". Compreendemos que dentro de nós palpita a mesma Vida que já existia há bilhões de anos, antes mesmo da formação da Terra, e que continuou existindo através dos tempos mesmo quando este planeta ainda era uma nebulosa de altíssima temperatura, de milhares de graus centígrados. Compreendemos que essa Vida Eterna é que continua existindo dentro de nós.
Compreendendo isso, compreendemos a veracidade das palavras que lemos no Hokekyo (Sutra do Lótus), do Budismo, onde Sakyamuni refere-se a si mesmo como uma Vida plenamente livre, que alcançou a iluminação há infinitos anos. Em suma, ao despertarmos espiritualmente, compreendemos que cada um de nós é a própria Vida, sublime e misteriosa, que já existia antes mesmo da formação do cosmo e, continuando a existir através dos tempos – mesmo nos momentos mais perigosos –, está manifestada em nós, aqui e agora. Ao mesmo tempo que compreendemos quão preciosa é a Vida que existe dentro de nós, conscientizamos que essa mesma Vida existe também dentro de todas as criaturas. Consequentemente, passamos a ter a nítida consciência de que não só todas as pessoas, como também todas as demais criaturas e coisas existentes no Universo são nossos verdadeiros irmãos, e conseguimos reverenciá-las do fundo do coração. Reverenciamo-las, não porque sejamos fraco e precisemos nos apoiar em alguém ou algo mais forte do que nós, mas sim porque sentimos por ela um profundo amor e uma profunda afeição, nascidos da consciência de estarmos unidos a todas as pessoas, a todas as criaturas e até mesmo a todas as coisas inorgânicas, através da mesma Vida – essa Vida indestrutível, eterna.
A compreensão intuitiva de que "todas as criaturas e todas as coisas do Universo são originariamente uma só Vida" constitui a base do amor ao próximo, e também do sentimento de valorizar todas as coisas. E este último sentimento constitui, por sua vez, a base do sucesso nos empreendimentos. Mesmo no mundo dos negócios, as pessoas que desejam alcançar o verdadeiro êxito têm de aprender a reverenciar as coisas. Caso contrário, não poderão extrair delas a força infinita. Diz-se que "até uma cabeça de sardinha poderá manifestar uma força milagrosa e curar doenças se a reverenciarmos". Reverenciando verdadeiramente todas as coisas, conseguimos extrair delas a força infinita. É preciso, pois, que aprendamos a reverenciar todas as coisas, com profundo sentimento de gratidão.
A partir do momento em que compreendemos que "todas as coisas são a manifestação da Vida de Deus", tornamo-nos incapazes de desperdiçar até mesmo uma folha de papel; pelo contrário, procuramos aproveitá-la ao máximo, fazendo com que ela exteriorize cem por cento a sua utilidade. Uma folha de papel em branco pode parecer insignificante, mas se você pegar essa folha e escrever uma carta com espírito de verdadeira reverência e gratidão, ela poderá prestar serviços de incalculável valor. Por exemplo, ela poderá manifestar um poder milagroso e curar a doença do destinatário; poderá, também, fazer com que o destinatário lhe empreste uma elevada quantia para salvá-lo da dificuldade. Como podemos ver, mesmo uma simples folha de papel em branco pode passar a manifestar uma força ilimitada, quando a vivificamos, usando-a com amor e espírito de reverência.
Na Seicho-No-Ie se diz que "na verdade, a matéria não existe". Há pessoas que interpretam erroneamente essas palavras, e pensam que "não é preciso dar valor às coisas, já que a matéria não existe". Elas estão interpretando apenas superficialmente a expressão "não existe", sem compreender o seu verdadeiro significado. Todas as coisas passam a manifestar valor infinito quando as reconhecemos como sendo "extensão da Vida de Deus". Mas quando as consideramos meras matérias pesando tantos gramas e constituídas de tais e tais elementos, elas só manifestam o valor limitado de matéria. Uma pessoa que não vê uma folha de papel como simples matéria, será capaz de transformar essa folha numa fonte de força ilimitada. Se nela escrevermos uma carta repleta de vibrações espirituais de amor, essa folha de papel se transformará em algo miraculoso e poderoso, que vivificará milhares e milhares de pessoas. Portanto, não existe coisa alguma que possa ser considerada uma simples matéria, de valor e capacidade limitados.
O valor e a capacidade de todas as coisas podem transformar-se de acordo com a intensidade da nossa reverência para com elas. Fazer com que todas as coisas manifestem a força infinita – esta é a maravilhosa "mágica", que consiste em colhermos abundantes e infinitas dádivas, a partir do nada. Mas não é preciso despojarmo-nos de todos os bens para praticarmos essa "mágica". O essencial é conscientizarmos que "na verdade, a matéria não existe, pois tudo quanto existe no mundo é manifestação da Vida de Deus". A partir do momento em que conscientizamos isso, passamos a olhar todas as coisas com profunda reverência. E todas as coisas passam a manifestar a força infinita da Grande Vida de Deus – força essa que transcende a matéria – quando as reverenciamos do fundo do coração. "A matéria não existe" – estas palavras constituem uma das bases da doutrina da Seicho-No-Ie, são palavras de suma importância. Elas são de compreensão fácil e ao mesmo tempo difícil. Por isso, frequentemente são interpretadas erroneamente. Mas acredito que, com as explicações dadas, os leitores conseguirão captar o sentido geral delas.
Do livro: "A Verdade da Vida, vol. 29", pp. 110-120
Fonte: http://busca-espiritual.blogspot.pt/
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