domingo, 7 de agosto de 2016

Humanize-se

Eu sempre escrevi.

Era a melhor forma de colocar os meus sentimentos e pensamentos em ordem.

Escrevendo eu consigo identificar com mais clareza os meus padrões e condicionamentos, consigo expressar os meus sentimentos. É como um carinho que eu faço em mim mesma. É o momento que a mente reverencia a essência.

Tudo o que eu vejo toma forma de palavra. É como se cada situação que eu vivo fosse um grande ímã que atrai para si as palavras perfeitas – palavras que dançam na minha mente até que eu as organize em texto.

Um dia, por puro desabafo, resolvi compartilhar os meus pensamentos em uma rede social. Para a minha surpresa, a questão que me afligia era compartilhada por outras pessoas.

Passei a verbalizar com mais frequência e a compartilhar as minhas percepções – que nem sempre eram cor-de-rosa. Todas elas guardavam correspondência com alguém. Todas elas serviam a mais alguém, seja para estimular o enfrentamento do problema, seja para trazer uma nova perspectiva.

O ego esperneava e dizia: quem se importa com isso? Quem quer saber da sua vida? Vai ficar se expondo para servir de chacota?

Mas o coração insistia! E quanto maior a exposição, quanto maior a sinceridade, maior era a conexão.

Não havia distância, não havia paredes, não havia pudores. De repente sentíamos juntos!

A exposição da minha verdade – ainda que só minha – abria um espaço de segurança entre mim e você. A minha coragem de verbalizar as minhas experiências acendia em cada um o desejo de se expressar (e essa dança adoçava cada minuto do meu dia).

Isso é puro pertencimento! Essa sensação crescia a cada mensagem, a cada carinho, a cada compartilhamento, a cada conversa.

Desde que honrando a nossa essência, somos instrumentos, somos chaves, somos as respostas que o outro precisa. Somos o abraço, somos a mão que levanta, somos o olhar de cumplicidade. E isso muda tudo.

Ter a coragem e a humildade de dizer: “eu já estive aí”; “quando aconteceu comigo, eu resolvi assim”; “havia uma lição para aprender”; “eu mudei o jeito de enxergar e a situação tomou outra forma”.

A necessidade de parecer perfeito (aos olhos dos outros) é, para mim, uma patologia. É uma rejeição ao estado de “ser” humano. Uma armadura dentro da qual estão retidos todos os tipos de medo: não ser aceito, não pertencer, etc.

É justamente a aceitação da nossa imperfeição que nos torna grandes e, paradoxalmente, perfeitos.

Pois olhamos todas as nossas “falhas” e as ressignificamos como aprendizado. Pois encaramos as nossas culpas e elas passaram a se chamar gratidão. Pois olhamos todas as nossas dificuldades e, hoje, as honramos como chances de aprendizado.

Em vez de continuar sendo a personificação da perfeição (represando todos os seus medos e as suas vontades), você pode, em um movimento de profunda humildade, acolher-se como é e, pela primeira vez, enxergar-se de verdade, sem medo, sem pudor.

Garanto que não há NENHUM ser perfeito nesse planeta. Aceitando-se, passará a pertencer a um grupo muito maior: o dos que se respeitam, que honram a sua essência, que se observam e se curam.

Conhecer tudo o que te condiciona, o que te limita, o que te molda, o que te formata. Chamo isso de liberdade.

Vulnerabilidade é força, é humildade, é fé.

Humanize-se. Expresse-se. Conecte-se.

Talita RebelloFonte: https://www.facebook.com/talita.rebello?fref=ts

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