
Quantas vezes temos uma ideia e, logo depois, dizemos que ela não irá dar certo? Quantas vezes falamos algo em público e uma voz interna nos critica? Quantas vezes nos olhamos no espelho e dizemos algo de ruim sobre a nossa aparência? Quantas vezes pensamos em projetos e nos sabotamos dizendo que não conseguiremos? Quantas vezes planejamos e, após certo tempo, pensamos em desistir?
Muitas vezes, o nosso maior inimigo está escondido dentro de nós mesmos: a autocrítica negativa. É aquela voz interna que nos diz: “isso não vai dar certo”, “você ainda não está pronto”, “você não sabe fazer isso”, “todos vão rir”, “essa espinha está horrível”, “essa roupa está terrível em mim”, “meu corpo é esquisito”, “ele(a) não vai gostar disso que eu fiz”, “com certeza vai dizer não”, “eu não vou conseguir”, “isso não vai ficar bom”…
Só de ler esses exemplos, você já visualizou sobre o que eu estou falando e deve ter sentido algo de ruim, não é? Com que frequência você faz essas criticas?
Vamos melhorar isso?
Imagine que você vai a uma exposição de obras de artes de um artista famoso. Ao passar por uma sala você vê um quadro lindo e faz um baita elogio por sua tamanha beleza. Todo o crédito desse quadro vai para o pintor, não é? Perceba que todo os elogios vão, no final, para quem fez a obra; e não para a obra em si. Uma vez que, tudo antes era só um quadro em branco – o qual não possuía valor.
Agora, se você vê um quadro com o qual não se identifica muito, o que você faz? Em geral criticamos, não é isso? Falamos que o quadro é feio, mal pintado, esquisito e, muitas vezes, que não gostaríamos de tê-lo nem de graça. Nesse caso, para quem vai essa crítica negativa?
Ainda para o pintor, não é verdade?
Perceba quem recebe o crédito quando criticamos negativamente a nós mesmos ou aos outros.
Se você acredita em uma inteligência maior, um criador, um arquiteto do universo… Então, uma crítica negativa de uma de suas obras atinge a Ele. Eu, nesse momento que critico, diminuo a Sua importância. Estamos dizendo que Ele criou algo ruim ou imperfeito. Essa crítica, no final, vai também a nós mesmos, pois se o Criador é capaz de criar pessoas com “defeitos”, logo nós também estamos juntos nesse grupo.
Perceba então que a crítica negativa ao outro, sem uma intenção de melhoria ou de ajudá-lo a progredir, nada mais é do que a reclamação sobre um trabalho do Divino.
Uma reclamação é uma critica negativa apenas por criticar, sem interesse no aprendizado e na melhoria do outro. Ela vem de mera comparação com os outros e com “padrões” de comportamento.
Se essa crítica negativa se torna frequente e está direcionada a si mesmo, ai estamos literalmente vivendo com o nosso próprio inimigo – aquele lado do nosso próprio ego que nos diminui.
Perceba que não existe crítica pior do que a autocritica, que não existe raiva pior do que a que guardamos e que não existe prisão pior do que a que nós mesmo nos trancamos.
Como diminuir a minha autocritica?
O primeiro passo de toda a mudança é estar consciente do que precisa ser mudado. Então, esteja consciente dessa voz interior que te critica e que critica os outros. Aquela voz que mede e compara tudo, e que tende a dizer que você está sempre por baixo. Reconheça ela nas situações do dia a dia.
O segundo passo é aceitá-la. Aceite que ela existe e que ela está ai agora. Não é necessário concordar, julgar, culpar, ter raiva ou qualquer outra coisa. Se fizer isso estará gerando mais autocritica negativa. É dar mais meios para o ego brincar com você, mais enredo para aquela ilusão, mais alimentos aos seus fantasmas…
O terceiro passo é amar. Poderia aqui descrever uma série de técnicas, mentalizações e palavras para se expressar, mas no final de tudo isso se resume em uma coisa só: o amor. Primeiro, o amor em você (o amor próprio), e depois o amor no outro — ver o outro COMpaixão.
Perceba que amar o próximo começa amando a si mesmo. É ver o amor em você para poder ver no outro.
Se percebendo amor, nos reconhecemos amor e vemos o amor no outro. No fundo, tudo se trata disso: amor e pertencimento. Enxergar amor no outro é nos reconhecer no outro. Isso é pertencer.
Ame a si mesmo incondicionalmente, ou seja, sem condições, sem pré requisitos, sem pré conceitos e sem barreiras.
Não se identifique com esses pensamentos, sentimentos e emoções de autocrítica. Perceba que essa autocritica negativa está na mente, no intelecto, na memória e no ego; e que isso tudo não é você — é só uma parte da sua existência. Você é algo antes disso, algo mais profundo, algo mais sutil.
Para entender isso, se pergunte:
O que ou quem eu sou?
Sabe, sinta amor mas não se apegue a ele. Não tente sentir amor pelos outros. O amor é um presente. Se está lá, está lá, se não está lá, não esta lá. Você não pode se forçar a amar alguém. Você pode impor amor? Se você impõe, será o contrário do que é. Apenas fique relaxado e vá fundo no conhecimento e de repente um dia, você descobrirá ‘tudo é parte de mim e todos são um’. Então o amor não é um verbo, ele não é uma ação. Você não tem que amar alguém, você é amor, você compreenderá que o amor é um substantivo. Você simplesmente esta lá em forma de amor cintilante. E é isso. Sim, obviamente, não é o amor da concessão mútua de que você está falando. Você ama alguém e lhe deram algo – Sri Sri Ravi Shankar
Você hoje é diferente do que foi ontem e amanhã será diferente do que é hoje. Reconheça a critica, aceite-a como uma parte em você e tenha um amor sem limitações; assim, ela não terá mais espaço na sua mente. Você verá como esses pensamentos vão diminuir – agora você transborda amor.
Que Assim seja e assim é.
Virgilio Magalde
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