quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Nós e os nossos mortos

O dia 2 de Novembro é dedicado à Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Um dia que normalmente acaba por ser comemorado no dia 1, solenidade litúrgica de Todos os Santos, por ser feriado.
O povo enche os cemitérios, lavando e limpando as campas e os jazigos dos que já partiram. Adornam-nos com flores vistosas e dispendiosas, acendem lamparinas e lampiões, numa azáfama que, por vezes, se transforma em competição desmedida e pagânica. Para muitos, é o dia da sua missa de ano, já que os dias de preceito nada significam para eles.
Gastam dinheiro excessivamente, nestes dias, nos cemitérios, sem qualquer sentido espiritual, quando muito desse dinheiro podia ser aplicado em obras meritórias, sobretudo para ajudar os mais necessitados. Porque a esmola, essa sim, constitui um meio eficaz de sufrágio, porque é sinal da caridade que a todos nos une, vivos e defuntos. Infelizmente, os nossos cemitérios são transformados, por esta altura, em fogueiras de cera e em romaria para «revista» às campas floridas, num local sagrado onde devia imperar a simplicidade, o simbolismo expressivo da fé, a espiritualidade de atitudes, o respeito, a oração.
Novembro é o Mês da Almas. Não é apenas o dia 1 ou o dia 2. Nem só o mês de Novembro. Todos os meses são «mês das almas» para os que acreditam e para os que realmente amam e sentem saudade dos seus entes queridos.

«Uma flor, pelos nossos mortos, murcha; uma lágrima, pelos nossos mortos, seca; a oração pelos nossos mortos, Deus recebe-a em Suas mãos!».

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