terça-feira, 8 de novembro de 2005

Amor na latinha de leite

Existem momentos na vida em que alguém toca o nosso coração sem perceber a profundidade daquela influência. Quando li este texto anónimo de alguém que assistiu a este episódio, fui tocada e voltei a analisar-me. Será que sabemos viver? Será que sabemos exactamente o que é amar?

"Dois irmãozinhos maltrapilhos, provenientes da favela - um deles de cinco anos e o outro de dez, iam pedindo um pouco de comida pelas casas da rua que beira o morro. Estavam famintos: '”vai trabalhar e não amole”, ouvia-se detrás da porta; '”aqui não há nada moleque...”, dizia outro... As múltiplas tentativas frustradas entristeciam as crianças... Por fim, uma senhora muito atenta disse-lhes: '”Vou ver se tenho alguma coisa para vocês... coitadinhos!'”. E voltou com uma latinha de leite.
Que festa! Ambos se sentaram na calçada. O menorzinho disse para o de dez anos: “Você é mais velho, tome primeiro...e olhava para ele com seus dentes brancos, a boca semi-aberta, mexendo a ponta da língua”.
Eu, como um tolo, contemplava a cena... Se vocês vissem o mais velho olhando de lado para o pequenino...! Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber, aperta fortemente os lábios para que por eles não penetre uma só gota de leite. Depois, estendendo a lata, diz ao irmão:
“Agora é sua vez. Só um pouco.”
E o irmãozinho, dando um grande gole exclama: “como está gostoso!”
“Agora eu”, diz o mais velho. E levando a latinha, já meio vazia, à boca, não bebe nada.
“Agora você”, “Agora eu”, “Agora você”, “Agora eu...”
E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles, o menorzinho, de cabelo encaracolado, barrigudinho, com a camisa de fora, esgota o leite todo... ele sozinho.
Esse “agora você”, “agora eu” encheram-me os olhos de lágrimas...
E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário. O mais velho começou a cantar sorridente, a jogar futebol com a lata de leite. Estava radiante, o estômago vazio, mas o coração trasbordante de alegria. Pulava com a naturalidade de quem não fez nada de extraordinário, ou melhor, com a naturalidade de quem está habituado a fazer coisas extraordinárias sem dar-lhes maior importância.Daquele moleque nós podemos aprender a grande lição, “quem dá é mais feliz do que quem recebe”. É assim que nós temos de amar. Sacrificando-nos com tal naturalidade, com tal elegância, com tal discrição, que os outros nem sequer possam agradecer-nos o serviço que nós lhe prestamos."

Depois deste texto perguntei-me: “Quem à minha volta precisará de um pouco deste leite na latinha?”. “Como é que eu posso encontrar um pouco desta "felicidade" fazendo a vida de alguém melhor?”. E tu?
Vamos lá, levanta-te e faz o que for necessário!
Ajuda alguém, colabora! E serás de certeza mais feliz!

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