“No ano de 2050, um terço da população portuguesa será idosa e quase um milhão de pessoas terá mais de 80 anos. A previsão é do Instituto Nacional de Estatística (INE) com base na tendência de envelhecimento da população, devido ao efeito conjugado do aumento da esperança de vida e a diminuição dos níveis de fecundidade.
A manter-se a actual tendência, Portugal será um país severamente envelhecido dentro de 45 anos. Entre 1960 e 2004, o número de idosos (maiores de 65 anos) mais do que duplicou (de 708 mil passou-se para quase 1,8 milhões) e o INE estima que até 2050 tal volte a acontecer. O que se traduzirá num valor próximo de três milhões de indivíduos.” (in Jornal de Notícias)
Dizem que a velhice é um posto. Mas há promoções que não compensam se avaliarmos a componente social, económica e até mesmo moral com que tratamos os nossos idosos.Infelizmente ser velho é para a maior parte das pessoas uma passagem à nulidade ou à invisibilidade.
A maior parte dos idosos deste país sofre de imensa carência económica. Vivem única e exclusivamente da sua reforma, chegam a passar fome e penduram contas na farmácia.
São muitos os que até nem têm família e, infelizmente, os que a têm são muitas vezes esquecidos. Os filhos alegam que não podem ficar em casa para tomar conta deles, queixam-se de falta de tempo e muitas vezes não querem ter esse tempo.
São muitos os que são abandonados durante uma passagem pelo hospital. São muitos os que são largados em lares, onde se pagam fortunas que só correspondem, na maior parte dos casos, às condições aparentes em dias de visita (quando as há).
São muitos os que são violados. São muitos os que são expropriados dos seus bens e privados de liberdade.
Quase todos sofrem do maior mal da velhice: a solidão.
Numa sociedade cheia de inovações e tecnologias, conceitos e ideais formados, as pessoas criaram uma certa aversão à velhice senão vejam-se os números das plásticas e os gastos que se referem a tratamentos anti-envelhecimento.
Temos uma sociedade pouco sensível às necessidades, anseios e perspectivas de vida dos cidadãos idosos e onde se estimula essencialmente os jovens. Uma sociedade onde a população idosa assiste, às transformações meteóricas e à consequente fragilização da sua condição sem ter como se defender ou como se afirmar.
A velhice deveria ser aquela fase da nossa vida em que deveríamos dar-nos algum descanso, apreciar a vida com alguma qualidade e rodeado daqueles de quem cuidámos. Mas isso não é o que normalmente acontece.
É preciso criar mais centros de dia, mais apoios domiciliários, mais centros de convívio, mais lares residenciais. É preciso dar aos nossos idosos mais apoio, mais atenção, mais conforto e ocupação. Afinal de contas eles também nos proporcionaram, dentro das suas possibilidades, tudo o que somos hoje.
Todos nós ouvimos e dizemos que as crianças são o futuro de amanhã. Porque será que não nos lembramos que amanhã seremos nós os velhinhos deste país?
O amanhã será construido pelas crianças!
ResponderEliminarMas o hoje foi construido pelos velhinhos!
Não os rejeitamos.
O seu lugar merece ser estimado.
Eles merecem ser AMADOS!