sexta-feira, 9 de setembro de 2005

A benção das lágrimas

Bendita a lágrima em que se cristaliza o acervo atroz de nossas dores e se dilui o negro fel de nossas mágoas.
Bendita a lágrima a cuja tona flutuam farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas...
Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem tecto e choram a desgraça de viverem sem pão.
Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afecto de mãe e nunca provaram um carinho de esposa.
Bendita a lágrima, desafogo amigo dos que são sós e consolo ardente dos que são tristes.
Bendita a lágrima dos que põem sobre os ombros a cruz de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência.
Bendita a lágrima dos que buscam, errantes, o calor de um afecto e somente encontram o frio do desprezo.
Bendita a lágrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem e só colhem ingratidões pelo bem que semeiam.
Bendita a lágrima que erige no cérebro um templo à Verdade e converte o coração num sacrário de Amor.
Bendita a lágrima que aflora, escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção.
Bendita, enfim, a lágrima, gota de luz das auroras celestes e síntese terrena do orvalho divino.
(Rubens C. Romanelli)

1 comentário:

  1. Lágrimas são tão importantes como sorrisos do quotidiano.
    Chorar e derramar lágrimas não são mais que o espelho de uma alma alegre ou perturbada, mas que deve expressar-se aberta e livremente.
    Benditas sejam todas as lágrimas deste mundo, pois é por elas que batalhamos, que lutamos e vivemos sempre os dias de forma a poder agradecer o dom que é a vida.

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